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Ex-gay e lenda do rock, Little Richard morre aos 87 anos

Nascido em família religiosa, cantor lutou contra sua homossexualidade a vida toda

Publicado em 09/05/2020
Morre Little Richard, lenda do rock que disse ser ex-gay
Músico influenciou inúmeros grandes artistas e sempre esteve à frente de seu tempo

A estrela de um dos maiores cantores do rock norte-americano se apagou. Morreu, neste sábado 9, aos 87 anos, Little Richard.

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Batizado Richard Wayne Penniman, o cantor faz parte do mesmo rol de lendas da música, junto a nomes como Elvis Presley, Chuck Berry e Jerry Lee Lewis.

Segundo a revista Rolling Stone, Richard sofreu com diversos problemas de saúde nos últimos anos, como um derrame e um ataque cardíaco, e não resistiu a um câncer.

Nascido em Macon, no Estado norte-americano da Geórgia, em uma família religiosa, o artista começou a cantar na igreja, mas seu pai não lhe deu apoio, acusando-o de ser gay. 

"Ele disse que queria sete [filhos] garotos. E que eu tinha arruinado isso porque era gay", contou o cantor, anos depois, sobre o pai.

Aos 13 anos, Richard deixou a casa dos pais e foi morar com outros parentes. 

Na sua mesma cidade natal, ele ganhou um concurso de talentos. Em 1951, aos 19 anos, assinou primeiro contrato com uma gravadora.

Entre 1955 e 1959, lançou seus maiores hits, tais como Tutti Frutti, Long Tall Sally, Lucille, Keep A-Knockin' e Good Golly, Miss Molly.

Vários dos maiores nomes da música surgidos nos últimos 60 anos foram influenciados por Richard. É o caso de James Brown, The Beatles, Elton John, Rolling Stones, Tina Turner, Michael Jackson, Prince, David Bowie, Lou Reed, Patti Smith, Deep Purple e Bruno Mars.

Além do talento inegável para a música, o roqueiro também chamava atenção por sua aparência considerada excêntrica à época. Ele usava bastante maquiagem, como rímel e delineador, e roupas espalhafatosas. 

Infelizmente, apesar de ser uma pessoa à frente de seu tempo, o músico jamais conseguiu lidar bem com sua sexualidade.

Richard era adepto de voyeurismo, gostava de ver homens transando no banco de trás de seu carro e foi preso duas vezes por causa disso. 

Em 1957, em turnê pela Austrália, contou ter visto uma bola de fogo cruzando o céu (tratava-se do satélite Sputnik 1) e entendeu isso como um sinal de Deus para mudar de vida e se tornou pastor.

Nos anos 1960, retornou ao rock e participava de orgias e novamente voyeurismo. Em 1984, disse que a homossexualidade era "contagiosa" e "não-natural".

Em uma das raras vezes em que falou sobre sua homossexualidade, em 1995, Richard afirmou: "Tenho sido gay durante toda a minha vida".

Em 2017, atacou a comunidade LGBT e disse não ser mais gay.

"Independentemente do que você for, Ele o ama. Eu não me importo com o que você é. Ele o ama e Ele pode salvá-lo, e Ele o salvará e Ele pode ajudá-lo. Ele irá ajudá-lo. Tudo o que você precisa fazer é dizer: 'Senhor, me toma como estou. Eu sou um pecador'. Mas todos nós pecamos e ficamos sem a glória de Deus."

"A única pessoa santa e justa é Jesus e Ele quer que sejamos como Ele, porque para irmos ao Céu, temos que nos parecer com Ele", disse Richard disse. "Eu quero ser santo como Jesus".


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