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No dia do artista plástico, 10 gays que fizeram história

Do fetiche ao HIV, do grafite à escultura, esses homens falaram de muitos temas e de diversas maneiras

Publicado em 08/05/2026

É notório que muitos gays têm uma grande inclinação para a arte. Seja no teatro, na música, na dança, na literatura ou no cinema, eles já criaram obras inesquecíveis. E as artes plásticas não ficam atrás!

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No dia do artista plástico, celebrado neste 8 de maio, o Guia Gay festeja a data lembrando de 10 grandes nomes dessa expressão artística que são/foram gays e que deixaram sua marca no mundo.

Andy Warhol (1928-1987)

Andy Warhol

Um dos maiores nomes da pop art, o estadunidense de Pittsburgh consagrou-se com pinturas, tais como Lata de Sopa Campbell, Díptico Marilyn e Coca-cola, todas de 1962.

Nus masculinos e divas adoradas por gays, como Liza Minnelli e Elizabeth Taylor, também se destacaram dentre os temas de suas obras.

Em 1968, sobreviveu a uma tentativa de assassinato, que lhe deixou sequelas, realizado por uma feminista que queria eliminação de todos os homens.

É dele a expressão "No futuro, todos serão mundialmente famosos por 15 minutos", o que originou a popular redução "15 minutos de fama".

Também cineasta, dirigiu dezenas de curtas-metragens entre os anos 1960 e 1970 - vários deles estrearam em cinemas pornôs gays - e viu seu nome reacender no mercado de arte nos anos 1980.

Em 2022, um quadro seu - Shot Sage Blue Marilyn - tornou-se o mais caro de um artista estadunidense já vendido em um leilão - pela bagatela de US$ 195 milhões (cerca de R$ 968 milhões).

Darcy Penteado (1926-1987)

Nascido em São Roque (a 62 km de São Paulo), Darcy fez carreira na capital paulista, onde estreou, no lendário Teatro Brasileiro de Comédia (TBC), como figurinista da peça Antígona, em 1952.

Trabalhou em inúmeros outros espetáculos renomados ao longo dos anos 1950 e 1960 como cenógrafo e figurinista, além de fazer ilustração de livros e revistas.

Darcy Penteado

Em 1978, foi um dos fundadores do Lampião da Esquina, o primeiro jornal LGBT de grande circulação no País, ao lado de nomes como Aguinaldo Silva, João Silvério Trevisan e João Antônio Mascarenhas.

Dentre suas pinturas, destacam-se As Galinhas (1982), Intimidade (1985) e O Alegre Piquenique (1985).

David Hockney (1937)

David Hockney

O britânico de 88 anos é outro expoente da pop art, movimento que nasceu em sua terra natal, mas consagrou-se nos Estados Unidos.

Desde 1963, seu nome já foi tema de mais de 400 exposições individuais no mundo. 

Seus trabalhos perpassam a pintura, a gravura, o desenho, a cenografia e a fotografia, dentre outras áreas.

Em 2018, Retrato de um Artista (Piscina com Duas Figuras), criado em 1972, foi vendido por US$ 90 milhões (cerca de R$ 440 milhões), tornando-se na época o trabalho de um artista vivo mais bem pago em um leilão.

Hockney vive há mais de 50 anos um relacionamento com Gregory Evans, que é seu sócio em vários negócios.

Francis Bacon (1909-1962)

Francis Bacon, artista gay

O irlandês tornou-se conhecido em 1933 por "Crucificação", baseada em pintura de Pablo Picasso.

Das quase 600 obras que sobraram - já que seu temperamento e o alcoolismo o fizeram destruir muitos de seus próprios quadros - vê-se que muitas delas eram produzidas em sequências, em formatos díptico ou tríptico.

Em boa parte das décadas, sua atenção se recaía sobre um mesmo tema, tais como as figuras biomórficas nos anos 1930, as cabeças masculinas nos anos 1940 e os autorretratos dos anos 1970.

Francis Bacon

Teve uma vida conturbada. Alvo de preconceito do pai desde criança por ser gay, envolveu-se por muito tempo sempre com homens mais velhos, talvez por um desejo que ele sentiu pelo própio pai. 

Em 1963, no entanto, apaixona-se por George Dyer, mais de 20 anos mais novo que ele, e se vê como dominante no relacionamento conturbado - o jovem era um ex-marginal e também alcoólatra.

Bacon jamais se recuperou do suicídio de Dyer, em 1971, eternizado em várias de suas obras e que se tornaram ainda mais perturbadoras, característica marcante de sua carreira.

Keith Haring (1958-1990)

Keith Haring artista gay

Esse estadunidense de Reading chegou a Nova York em 1978 e fez seu nome grafitando paredes do metrô, somando-se à efervescente cena artística da cidade na época.

Destaca-se Bebê Radiante, que depois virou sua assinatura para outras obras.

De quadros a murais, durante a década de 1980, seu trabalho foi conquistando galerias, museus e mostras de todas as partes do mundo, como a Bienal de São Paulo, em 1983, e a Bienal de Veneza, em 1984.

Keith Haring

Engajado, Haring criava artes para movimentos como o da África do Sul Livre e do show Live Aid!, ambos em 1985, mas também atuava no mainstream, fazendo cenários para a MTV.

Em 1986, abriu a Pop Shop, loja com trabalhos seus, em Nova York, para tornar a arte mais acessível ao público.

Diagnosticado com HIV em 1987, tornou-se potente voz no combate á aids até sua morte.

Foi uma grande referência para Madonna, de quem era amigo íntimo. A cantora jamais superou sua partida e já fez referências a Keith inúmeras vezes em entrevistas, músicas e shows.

Leonilson (1957-1993)

Um dos grandes nomes abertamente gay das artes plásticas brasileiras, o fortalezense foi para São Paulo aos quatro anos e, aos 20, estudou na Faap, onde foi aluno de lendas desta área, como Nelson Leirner e Regina Silveira.

Faz sua primeira exposição em 1979 e integra grupo chamado de Geração 80, que inclui dezenas de artistas - sobretudo do Rio de Janeiro e São Paulo - que revolucionaram a pintura brasileira.

Suas obras, autobiográficas, ganham uma camada a mais quando descobre, em 1991, ser portador do vírus HIV. No primeiro desenho da série O Perigoso (1992) há uma gota de seu sangue.

Destacam-se As Montanhas ao Longe (1989), Todos os Rios (1989) e O Transatlântico (1990).

Michelangelo (1475-1554)

Um dos pintores mais conhecidos do mundo, o italiano de Caprese, na região da Toscana, era chamado já na sua época de "Divino".

Sua fama era tão grande que foi alvo de biografias enquanto ainda era vivo e muitos objetos e esboços seus foram guardados.

Ganhou notoriedade após fazer a Pietá, escultura que mostra Jesus Cristo morto nos braços da Virgem Maria, e que está na Basílica de São Pedro, no Vaticano.

No início do século XVI esculpiu David, uma de suas obras mais célebres e talhada num bloco de mármore de mais de cinco metros de altura.

Uma de suas obras-primas, o teto da Capela Sistina, foi aceita a contragosto a pedido do Papa Júlio II e feita em apenas quatro anos (1508 a 1511).

Apesar de não haver registros, é consenso que ele era gay. Dentre os jovens com os quais teria tido envolvimento estão Cecchino dei Bracci e Tommaso dei Cavalieri. para quem escreveu dezenas de poemas e foi o único de quem pintou um retrato.

Pierre et Gilles (1950 / 1953)

Artistas plásticos gays Pierre et Gilles

É impossível falar de artistas plásticos gays sem citar os franceses Pierre Commoy e Gilles Blanchard, que se tornaram um marco da cultura gay nos últimos 40 anos.

Pierre, fotógrafo, e Gilles, pintor, começaram a produzir na primeira metade dos anos 1970. Conheceram-se em 1976 na inauguração da boutique Kenzo em Paris e nunca mais se largaram.

Companheiros de vida e de profissão, tornaram-se um dos casais gays mais celebrados nas artes produzindo juntos desde então - eles aplicam tinta sobre as fotografias impressas em tela.

Pierre et Gilles

De motivos religiosos a nudez masculina, suas obras perpassam anônimos e famosos, tais como Marc Almond (longo parceiro de trabalho), Madonna, Kylie Minogue, Tilda Swinton e Catherine Deneuve.

Causou controvérsia uma série de três nudes em 2012 que mostravam três jogadores franceses pelados - um negro, um árabe e um branco, em grandes cartazes, celebrando a diversidade étnica da França.

Tom of Finland (1920-1991)

Tom of Filand - Touko Valio Laaksonen

Pseudônimo de Touko Valio Laaksonen, o artista segue influenciando a cultura gay desde os 1950.

O finlandês começou seu trabalho dentro do gênero beefcake, que consistia em fotografias de homens jovens atléticos mostrando os músculos durante exercícios. 

As publicações atraíam o público homossexual, numa época em que a pornografia gay era ilegal nos Estados Unidos.

Durante os anos 1960, com o afrouxamento da legislação estadunidense, ele começou a publicar nudez e suas obras foram se tornando mais explícitas.

Em 1973, ele já publicava livros com histórias em quadrinhos eróticas que ganhavam o mundo. Na mesma década, passou a enfatizar um estilo fotorrealista, fazendo com que seus desenhos se assemelhassem a fotos.

O exagero que ressaltava em seus personagens - os músculos, o volume nas calças, as bundas, os jeans megajustos - ajudaram a moldar a cultura gay, misturando desejo, sonho e válvula de escape para gerações de homens.

O couro, as botas, o sexo, a orgia e os fetiches se tornaram sua assinatura e mais de 1.500 de suas obras estão preservadas em sua fundação criada em 1984.

Tom of Finland

 


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