Morre gay que criou maior centro de acolhida trans do Brasil
Alberto Silva tinha décadas de atuação em favor de pessoas em situação de vulnerabilidade
Morreu nesta segunda-feira 27 o ativista e empreendedor Alberto Silva, criador do maior centro de acolhida trans do País, a Casa Florescer.
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A informação foi divulgada pelo coletivo LGBT Rede Família Stronger.
Ele estava com 53 anos e foi vítima de um infarto fulminante. O ativista chegou a ser levado a um serviço de saúde, mas não resistiu.
Beto, como era conhecido, idealizou o que se tornaria uma referência para o Brasil em termos de ressocialização para trans em situação de vulnerabilidade.
Em conversa com o Guia Gay, em 2020, ele contou que em meados dos anos 1990 começou a atuar em projetos sociais com vôlei e dança e teve contato com a periferia. "Vi o quanto era necessário e não parei mais", disse.
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Dentro da realidade dos necessitados, ele percebeu um grupo ainda mais necessitado: trans e travestis.
"Vi a situação de trans... Nos serviços de atendimento em geral, havia muita incompreensão com elas. Falta de respeito ao nome, à identidade.. E isso vindo, inclusive, de outras pessoas albergadas. É um conflito de cultura, valores. Passei a cada vez mais conhecer a realidade das trans e a lutar para que fossem protegidas", lembrou.
Por ter esse viés de entendimento e aproximação com a população trans, o nome dele ficou conhecido na assistência social da Prefeitura de São Paulo. Quando uma trans buscava um serviço de apoio para quem vivia em situação de rua, era direcionada ao abrigo em que ele trabalhava.
Seu trabalho foi solidificado em 2012 no projeto social Portal do Futuro.até que quatro anos depois ele abriu a primeira unidade da Casa Florescer, no Bom Retiro, zona central de São Paulo.
Em 2019, veio a segunda unidade, no Tucuruvi, zona norte, depois uma focada em homens trans;
As equipes são compostas por profissionais na cozinha, psicólogos, assistentes sociais e orientadores sócioeducativos, além de voluntários de várias áreas, como fotografia, teatro, música, ioga e corte e costura, para não só abrigar trans em vulnerabilidade, mas também para escutá-las, empoderá-las e ressocializá-las.
Gay assumido, em 2023, Beto inaugurou o Hotel 9 de Julho, no Jardim América, zona oeste, voltado a homens gays também em situação de vulnerabilidade.
Ao Guia Gay, em 2024, ele explicou que não existia um prazo de permanência. "Existe o desenvolvimento do PIA - Plano Individual de Atendimento -, que é essa orientação e encaminhamneto de psicologia social para a pessoa que está sendo acolhida, para documentação, educação, saúde, trabalho, dentre outras coisas.
"Beto compreendia que acolher ia muito além de oferecer um teto. Era enxergar a humanidade de quem tantas vezes foi invisibilizado, era estender a mão sem julgamentos, era devolver esperança para quem havia perdido quase tudo. Sua escuta sensível, seu compromisso inabalável e sua capacidade de transformar afeto em política pública fizeram da Casa Florescer um espaço de reconstrução de vidas, dignidade e pertencimento. Sua atuação inspirou movimentos sociais, profissionais, gestores e ativistas em todo o país. Em cada pessoa que encontrou acolhimento, em cada direito defendido e em cada oportunidade criada para aqueles e aquelas que vivem à margem da sociedade, Beto construiu um legado que jamais será esquecido", disse a Família Stronger, em nota nas redes sociais.
Presidente da Parada do Orgulho LGBT+ de São Paulo, Nelson Matias também falou da importância de Beto. "Sua dedicação impactou profundamente a vida de centenas de pessoas, reafirmando que políticas públicas só fazem sentido quando são acompanhadas de humanidade, presença e compromisso com quem mais precisa."








