DJ Dam Maia relata descaso da família do ex morto e irá à Justiça
Artista relata que parentes do ex-companheiro não reconhecem os direitos deles como casal
O DJ Dam Maia, nome importante na cena de tribal house no Brasil, enfrenta o luto por ter perdido o companheiro ao mesmo tempo em que relata sofrer com comportamento hostil da família do amado.
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Em depoimento no Instagram, o DJ explicou o caso.
Seu ex, o modelista Carlos Geovani de Jesus Casimiro, de 40 anos, faleceu na manhã do último dia 11. Após a morte, a família, que, relata, era cordial com ele, mudou de comportamento de tal maneira que Dam não foi ao enterro por temer ser maltratado.
Os dois viviam juntos há seis anos (conheciam-se há quase oito), mas não eram casados legalmente. Valendo-se disso, a família de Geovani negou acesso ao laudo do Instituto Médico Legal e ao boletim de ocorrência.
"Pra correr pro hospital quando ele teve crise de bronquite, quando ele teve problema no coração, pra cuidar, nessas horas não tem [família]. Tem na hora que é envolvida alguma coisa, algum bem", desabafou.
Ao Guia Gay, o DJ explicou que Geovani tinha pensão pendente do ex-marido para receber desde 2016. Por causa disso, Dam conta que não quis prejudicá-lo e sempre preferiu adiar a oficialização da união até que os imbróglios da pensão na Justiça fossem desfeitos.
O apartamento em que moravam era herança também do ex-marido de Geovani. Agora, o DJ vai entrar com ação na Justiça para o reconhecimento de sua união estável com o modelista e pleitear tanto a soma de dinheiro que Geovani estava para receber quanto o imóvel.
"Eu já tive dois amigos que passaram por isso, essa questão de família, de acharem que eles têm mais direito do que a gente, de não tratar a gente como familiar. Eu vi aqui, dentro de casa, a irmã dele falou: 'Pode deixar que agora a família cuida disso'. Eu falei: 'Que família?' Porque nenhuma das irmãs nunca ligou pra ele, ele sempre se queixava, sempre chorava. Só a mãe que ligava e só veio aqui uma vez só, em sete anos."
Dam relata que Geovani tinha problemas cardíacos. Na véspera da morte, o DJ tocou no clube Executivo, zona central de São Paulo, e voltou para casa pela manhã. Por volta das 7h, Geovani estava bem. Cerca de 9h50, no entanto, Dam acordou com o marido passando mal como se estivesse se sufocando.
Ele pediu socorro a um vizinho que o ajudou a fazer manobra cardíaca em Geovani enquanto aguardavam pela ambulância, que demorou mais de 20 minutos para chegar. Geovani foi declarado morto cerca de meia hora após dar entrada na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) na Mooca, zona leste da cidade.
Pouco depois, a irmã do modelista exigiu que Dam entregasse o telefone celular dele. Dam se recusou e avisou que o aparelho pertencia a ele, foi ele quem havia dado ao marido quando comprou um novo para si.
A empresa para a qual Geovani trabalhava, em Itaquaquecetuba, na Grande São Paulo, reteve objetos de trabalho e o notebook do modelista e informou a Dam que a família não autorizou que nada fosse entregue ao viúvo.
"Eles [a família] não tiveram nenhum respeito por mim. Eu estava sozinho no hospital. Nenhum deles veio para cá [São Paulo] para levar o corpo do irmão, o corpo do filho."
Geovani era natural de Eloi Mendes (MG), perto de Varginha, onde foi enterrado.
"Eu só pude me despedir dele dentro do IML [Instituto Médico Legal]. Por conta de todo esse desconforto, eu fiquei inseguro de ir. Eu queria seguir com ele até o final, na cidade dele", explica Dam que ouviu do cunhado que as coisas que ele poderia fazer já havia feito. Essa postura foi lida pelo DJ como indicativo de que a família em Minas não gostaria de vê-lo lá.
Segundo o DJ, aparentemente a causa da morte foi embolia pulmonar decorrente de trombose na perna.
Ele acredita que o boletim de ocorrência foi retificado, "pois depois foi constatada morte suspeita".
"Eu achava que eram minha família também, porque era a família do Geovani, e não é", disse Dam pontuando que os parentes do ex são evangélicos. "A minha família é toda evangélica, mas não é desse jeito, não, são mais tolerantes".
No Brasil, marido/esposa e filhos são os herdeiros necessários de quem morre e o Supremo Tribunal Federal (STF) determinou, em 2017, que a união estável dá ao casal os mesmos direitos que o casamento civil na herança.
A união estável pode ser reconhecida após a morte de um dos integrantes do casal. Em geral, são analisadas provas, tais como contas conjuntas, comprovantes de residência no mesmo endereço, declaração de imposto de renda e depoimentos de amigos ou colegas de trabalho que atestem que ambos viviam como casal.








